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Fragmentos de Miguel Moreno

recordações, paixões, aventuras de quem já viajou por todo o país... a vida é bela

Silêncios

29.06.22, MM
Silêncios Que na alma fazem gritos  Murmúrios de um vazio atroz  Suplícios na casa dos malditos Que no vácuo projetam a sua voz   Silêncios  De quem espera e desespera O passar dos dias avante Sem fantasia, sem quimera Sem um abraço reconfortante    Silêncios  Numa tela em tons de branco Memórias perdidas ao vento Contempladas num qualquer banco Numa vida sem qualquer alento   Silêncios  Feitos de revoltas contidas  Escritas em papiros de amarguras Sem asas para voar (...)

Pauta musical

09.06.22, MM
Solto os acordes que prendem-me à vida Dedilhados em choros de melodias teimosas São lágrimas que no coração perfuram Sentimentos perdidos de uma vida sentida Entrelaçados nas cordas de tardes chuvosas Sonidos aleatórios que no tempo perduram   Viajo nas intermitências de uma pauta musical Caminhos tortuosos que me levam à tua essência Rendo-me aos encantos do canto primordial E no despir da alma, perco a decência Que eloquência  Visões extraordinárias perpetuadas no meu olhar (...)

Esquecimento

15.05.22, MM
Fiquei esquecido nas memórias do esquecimento Em claustros sombrios numa alma dormente Labirintos anestesiados com o meu tormento E por ali vagueio, solitariamente Um dejavu, uma quimera Inverno que nunca será Primavera  Memória austera Que ninguém quer lembrar, esquecer Lembrança penada que teima em não desaparecer   Fiquei esquecido na memória do esquecimento Partículas fragmentadas lançadas ao vento Aguardando a chegada do nosso tempo Que nunca aconteceu, esmoreceu E perdido (...)

Melancolias

19.12.21, MM
Aguardo apático a chegada dos primeiros raios de sol. Sei que romperão por entre as estreitas fissuras dos estores que mantêm o meu quarto escuro, frio, na melancolia das noites vazias de essência, de vida, do amor. Tudo me parece tão previsível, tal qual um qualquer guião escrito a conta-gotas, pausado, reflexo dos eternos dias passados em tons cinzentos. Aconchego-me a um canto da minha imensa cama. “para que tanto espaço?” questiono-me impacientemente enquanto volto a (...)

Já não sinto..

21.11.21, MM
  Já não sinto a eloquência das manhãs frenéticas Onde da alma brotavam silenciosamente palavras poéticas Ânsias intemporais que nas linhas do tempo ousava escrever Sentimentos eternizados no amanhecer que não consegui viver     Já não sinto o corpo ardendo de desejo, do ensejo do teu beijo Já não sinto a alma cintilando, extravasando, voando Já não sinto corpo, já não sinto a alma, apenas estados hipnóticos  Sonambulismos traçados por caminhos caóticos  Sem rumo (...)

Momentos de solidão

23.10.21, MM
Pressinto na brisa eletrizante a tempestade a chegar Nuvens aglomeram-se como guerreiros desafiadores Trespassando as altas montanhas com se fossem gladiadores Pequenos remoinhos fazem as folhas vibrar E as afoitas formigas correm, correm sem parar Sabem os segredos do tempo, sabem bem o que se vai passar E eu, contemplo o avermelhado majestoso do céu Que em breve estará coberto do negro véu   A noite escurece no silêncio temerário da solidão  Onde as brumas do deserto invadem o (...)

Ânsias

08.09.21, MM
Embalo no choro amargo que me faz adormecer  Lágrimas derramadas numa cama de infelicidade Solidão, depressão, dor imensa no coração Desejos reprimidos que ouso fazer acontecer Embalados num sono profundo de ilusão E eu, apenas querendo acordar e viver Este amor que me avassala o coração   Embalo mais um pouco em soluços profundos Pregando aos deuses que ouçam as minhas preces Suplico ao universo para ao teu lado ter mais uns segundos E tu? apareces e desapareces E eu? fico na (...)

Meu caminho...

23.08.21, MM
Caminho solitário sobre as pedras que me encantam Calçada entrelaçada que por mim foi chorada Lágrimas doces que os meus olhos decantam Melodias embaladas no reflexo do teu terno olhar Ânsias eloquentes, ardentes Aguardando aquele singelo momento dos teus lábios beijar   Assim passo os meus dias intermináveis Navegando sobre sonhos de mundos admiráveis Declamo por entre-linhas letras de poetas afamados Palavras malditas escritas em papiros enfeitiçados Dores austeras em (...)

Tem dias!

18.07.21, MM
  Tem dias que parecem intermináveis  Horas que não passam, tornam-se infindáveis E eu só queria adormecer os pensamentos Pausar os meus tormentos E nos crivos do tempo Perder-me no silêncio Dos gritos que que da minha alma brotam Dos sussurros que a minha paz boicotam Em melodias que já não encantam Choros agonizados, perpetuados...   Tem dias!  Responde a alcoviteira de forma sorrateira De quem tem tudo mas nunca soube o que era ser amada Esboça um sorriso escondendo uma (...)