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Fragmentos de Miguel Moreno

recordações, paixões, aventuras de quem já viajou por todo o país... a vida é bela

Dói a saudade

10.09.25, MM
A chuva cai… Cai incessantemente na minha saudade E dói… E como doi de verdade Não te ter aqui Ao pé de mim Passeando de mãos dadas num qualquer jardim Mas dói Dói até onde a dor não consegue alcançar  Para além das intermitências da alma ferida Quimera perdida E eu? Eu ainda aqui estou perdido no teu terno olhar Desde os tempos ancestrais Até hoje Horas, minutos, segundos Tempo contado sem pontos finais Mas o tempo, esse, pouco importa Se a dor da saudade atravessa a (...)

Relatividade

12.08.25, MM
Observo tudo à mesma distância  Bom Jesus, Sameiro, a lua E no ar sinto a mesma fragrância  Do teu perfume  Que em mim acende este lume Desejo insano de te deixar nua De alma despida  De corpo desnudado Dançando de forma atrevida Envolvências entre o profano e sagrado    Observo tudo à mesma distância  Entre a relatividade e a saudade Ilusões de proximidade  Fantasia Quimera E quem me dera Que a distância não fosse uma utopia    Observo o infinito  Vejo, mas não o (...)

Será que ainda há lugar para o amor?

30.03.25, MM
Queria ouvir falar de sentimentos  Mas os sentimentos caíram em desuso  São meros lamentos Fantasias, utopias,  Quimeras perdidas Almas sofridas Corações sem alento   Ouço falar em estabilidade financeira  Em ter alguém para passear A lugares chiques pois claro  Que o amor sai caro E há um estatuto para pavonear Que triste ironia  Pessoas querem ser amadas Sem saber o que é amar Corações feitos de retalhos Amores cruzados Corpos alados Em camas deleitados Sem prazeres carnais (...)

Desisto de ti

16.02.25, MM
Desisto de ti  Como o mar desiste da areia E os pássaros já não regressam na primavera Que tragédia! Que blasfémia! Não ter do destino a rédea  Que desatino! E que me dera Que desistir fosse apenas uma quimera Melodias errantes no canto de uma sereia Que se apaixona pelo seu interlocutor Apregoando em praça cheia Dor não! Sim ao amor!   Desisto de ti Porque o tempo não avança Ficou empancado no relógio ancestral Que chatice! Que sentimental  Ainda te olhar com os olhos (...)

Pequena mariposa

11.01.25, MM
Voa até mim nesta manhã chuvosa Pequena mariposa Escreve nos pergaminhos do tempo Tudo aquilo que me vai alma Porque se alma não é pequena É o tua essência que me acalma Pequena mariposa Que me visitas na noite silenciosa Por entre a neblina da alvorada Mas o que serás afinal? Quimera ou alquimia Sonho ou fantasia E no entanto, no que me encanto Está para além da utopia Pequena mariposa Que me sussurras estados caóticos Mas a minha mente não mente E o amor quer apenas as (...)

Desencanto

15.10.23, MM
Perdi-me no encanto que hoje se fez desencanto Naveguei nos mares invioláveis que se tornaram domáveis Infringi as leis do retorno e sem adorno Quebrei as leis da atração Que fiz eu meu coração? Que fiz eu meu coração…   Bati no fundo do meu ser Intermitências alucinantes entre o viver e o morrer Dor que não apazigua, insinua Num rio que corre mas não desagua Mar feito de lágrimas incandescentes Minha alma feita de estrelas cadentes Sem luz, sem rumo delineado Chorando sob (...)

Enlouquecer

04.08.23, MM
Não posso ser o teu ponto de abrigo Se as minhas lágrimas tu não podes abrigar Sou mera quimera que se esfumaça quando te vais deitar   Não posso ser teu guarda-costas Quando de mim os teus lábios tentas proteger Sou apenas o fruto proibido que te recusas a comer   Não posso ser o teu chão  Se nele não nos podemos enrolar Sou as areias movediças onde te estás a enterrar   Não posso ser a tua lembrança Se no teu coração me tentas esquecer Sou apenas aquela memória que (...)

Perdido

23.07.23, MM
Estava tão embriagado na minha lucidez Que nunca percebi que tinha chegado a nossa vez Sonho lindo que nunca virou realidade Quimera perdida que hoje mora na minha saudade De te ter em mim Mergulhados em lençóis de cetim Numa história que eu nunca quis que tivesse um fim Mas que nem sequer chegou a começar Que não virou história de encantar   Estava tão concentrado na minha insensatez Que talvez tenha deixado passar a nossa vez Sentimentos que ficaram enclausurados Em destinos (...)

Lágrimas

09.06.23, MM
Em quantas camas terás ainda que dormir Para perceberes que não são feitas de sentimentos São meros aconchegos imaginários que um dia te farão partir Areias movediças onde afogas os teus lamentos   Quantas lágrimas terá o teu rosto que derramar Num coração amargurado que não pára de sangrar Sonhos desfeitos ecoados no teu olhar Quimeras perdidas de quem apenas desejava amar   Em quantos corpos terás ainda que tocar Quantas bocas terás ainda que beijar Quantos orgasmos (...)

E a vida passou...

17.05.23, MM
Andei perdido na minha própria solidão Monotonia agreste que emergiu sem paixão E a vida passou...   Ocupei o tempo em dilemas sem solução  Preenchi os espaços num manto feito de ilusão E a vida passou...   Semeei no ardido deserto as sementes da frustração Caminhei sobre as águas do sol nascente a desilusão E a vida passou...   Assisti ao passar dos dias sem qualquer emoção Aprisionei todos os sentimentos oriundos do coração E a vida passou...   Hoje? Sou uma quimera (...)