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Fragmentos de Miguel Moreno

recordações, paixões, aventuras de quem já viajou por todo o país... a vida é bela

A carta que nunca pensei te escrever

05.10.21, MM
  Cai mais uma lágrima sobre o papel já molhado Nesta carta que entre soluços te estou a escrever Embalado na melodia da música que era a nossa vez E no entanto, hoje, só queria perder a sensatez Aparecer à janela do teu quarto apenas para te ver Mas não posso, estás inacessível Um amor proibido e no entanto, inesquecível   Foste luz na minha vida quando estava assombrada Nuvens afugentadas com o teu sorriso iluminado Confidente, amiga, só não foste a minha namorada E neste (...)

Tudo eu julguei

28.09.21, MM
Julguei as estrelas que me amparavam nas noites sombrias Sem saber que o faziam Julguei a lua por me inspirava na inércia da minha escrita Murmúrios que eu pensava que ali jaziam  Julguei os rios por estarem tão frios Mas eram apenas reflexos gélidos que em mim adormeciam   Julguei as forças cósmicas, culpei o cupido  Setas de uma amor envenenado que cultivavam o meu jazido Julguei as bruxas, os druidas,  as feiticeiras   Amaldiçoado o fogo das suas fogueiras Julguei os (...)

E a vida passou...

12.09.21, MM
  Deixei passar as águas do rio sem nunca as abraçar Contemplei no infinito as estrelas sem nunca as desenhar Corri contra o vento sem nunca o atravessar E hoje, lembro-me das sementes que me esqueci de cultivar   Passou por mim o tempo a correr Desvaneceu-se no ar parte do meu ser Lembranças perdidas em cada amanhecer Palavras sentidas de uma boca a tremer   Tudo na vida eu vi passar Passagens do tempo que no meu corpo ficaram tatuadas Esquecimentos, alentos, sofrimentos Alegrias, (...)

E os ventos já não sopram...

27.08.21, MM
E os ventos já não sopram Barcos já não vão para o mar Velas já não são içadas Esmorece-se na maresia o olhar   E os ventos já não sopram No horizonte não há poeira no ar Silêncios dormentes que sufocam Almas que não conseguem acalmar   E os ventos já não sopram Já não fazem o balão voar Olhar triste de uma criança  Perdida em sonhos de encantar   E os ventos já não sopram Aprisionados em redemoinhos e furacões Tornados transformados em ilusões Deuses (...)

Tela imaginada

05.08.21, MM
  Passos que dou no caminho do infinito Seguindo as entranhas do meu instinto Observo pálido e sereno a constante da vida Ora apaixonada ora vivida de forma sentida   Sigo a luz que trespassa o meu vago olhar Perdido nas horas que teimam em recuar Mundo ao contrário num tempo travesso Destino meu que nas estrelas professo   Vagueio entre a amarga sorte e o doce azar Mergulhado entre o fruto proibido e o desejo de amar Purpurinas, brilhantinas, dançantes bailarinas Enclausuradas numa (...)

O banho

29.07.21, MM
  Chego a casa quase moribundo, de semblante pesado, reflexo de um dia cansativo. O calor abrasador de fim de tarde sufoca o todo o meu corpo, todo o meu ser. Sinto uma necessidade urgente de sentir a água a cair em cima do meu corpo desnudado. Abro a torneira do chuveiro como quem abre a fonte da vida. Vou despindo a roupa colada ao corpo como quem despe a alma, peça a peça, lentamente, ao som harmonioso da água a cair, a chamar por mim, desejando percorrer o meu corpo suado, (...)

15 minutos

27.07.21, MM
  15 minutos Foi o tempo que demoraste a responder ao e-mail que te enviei.  Sabes, os meus filhos “gozam” comigo por ninguém fala por e-mail hoje em dia, e no entanto, foi o único sítio onde não me bloqueaste, como se pretendesses deixar uma porta entre-aberta, uma forma pouco ortodoxa de não quebrar definitivamente a nossa ligação. Tinham passados 15 dias e eu não resisti a saber de notícias tuas. Não consigo, é mais forte do que eu. Estranho-me no trabalho, nos filhos, (...)

Ausências, intermitências, delinquências

01.07.21, MM
  Ausências, intermitências, delinquências Divagações vãs do meu estado de espírito Em clausuras trancado aguardando o veredito Qual pecado capital possa ter cometido Nesta ânsia que não me deixa viver Nesta agonia que só me faz sofrer   Como posso eu escrever sem musa de inspiração? De que vale os acordes de uma canção Sons chorados da minha singela viola Em perfumadas serenatas tocadas ao luar Se nem a minha alma consola Se nem a minha música te faz apaixonar   Debruç (...)

Sentimentos escondidos

24.06.21, MM
  Escrevia sem saber se me lias Agora que sei, não sei o que escrever Fico a olhar para a folha branca, vazia Embriagado em ternas lembranças De um coração carregado de esperanças Mas são apenas reflexos da minha propria apatia   Vou tentar escrever nas entrelinhas do amor Sentimentos escondidos nos veios de uma flor Serão apenas revelados na palma da mão A quem nas linhas da vida souber ler a minha sina De uma paixão escondida no coração   E no entanto, aqui estou eu a revelar-me (...)

Perdido no teu abraço

19.06.21, MM
Caio desamparado Num céu que não tem limites Viajando num cavalo alado Por entre nuvens esfumaçado Feitas de estalactites e estalagmites Magmas e lavas ardentes  Névoas envolvidas em maresia Gritando palavras de heresia Numa queda carregada de harmonia De sonhos e fantasia Esvoaçando por entre luzes cintilantes Que brilhando a compasso  Invocam o templo dos amantes Em melodias de pássaros cantantes   E numa queda que parece não ter fim Envolvido em lençóis de cetim Caio (...)