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Fragmentos de Miguel Moreno

recordações, paixões, aventuras de quem já viajou por todo o país... a vida é bela

Esquecimento

15.05.22, MM
Fiquei esquecido nas memórias do esquecimento Em claustros sombrios numa alma dormente Labirintos anestesiados com o meu tormento E por ali vagueio, solitariamente Um dejavu, uma quimera Inverno que nunca será Primavera  Memória austera Que ninguém quer lembrar, esquecer Lembrança penada que teima em não desaparecer   Fiquei esquecido na memória do esquecimento Partículas fragmentadas lançadas ao vento Aguardando a chegada do nosso tempo Que nunca aconteceu, esmoreceu E perdido (...)

Um amor assim

25.04.22, MM
Amor que cruzas oceanos de paixão  Sentimentos perfumados em papoilas delirantes Escovação borboletas do estômago ao coração  E então? Qual é o mal de sentir estrelas cintilantes Halos luminosos carregados de sensualidade Nebulosas curiosas transportando átomos de paixão Percorrendo corpos celeste em jogos de sedução E no rasto de um cometa, eterniza-se a saudade   Amor que transformas palavras em poesia Sons estridentes em suaves melodias Que heresia! Exclamam os supostos (...)

Primavera, poesia e esperança

29.03.22, MM
E se o mundo da primavera fizesse esperança  E o sonido das armas fosse o riso de uma criança E se as palavras proferidas fossem apenas poesia Escrita nas entrelinhas nas ordens demandadas Canhões mágicos disparando apenas fantasia Corações atingidos por balas extravasadas Feitas de amor e alegria   E se o perfume da primavera chegasses aos corações Inércias de quem mata desconhecendo as razões Vidas desfeitas, almas imperfeitas Obscurantismo, sonambulismo, fanatismo E onde (...)

Tentei escrever...

14.02.22, MM
Tentei escrever nas linhas do infinito Palavras que não vinham no dicionário E no entanto, no meu imaginário Fluíam sílabas entrelaçadas em Sânscrito Mantra, Karma, Reencarnação Universo, Matéria, Reconciliação Alma, Corpo, Espírito Evocação, Elevação Transe hipnótico em murmúrios de paixão Corpos desnudados em antros de perdição Luz própria brilhando na escuridão   Tentei escrever no algoritmo temporal Reescrevendo a história jamais contada Dos amantes que (...)

Silêncios

03.02.22, MM
Silêncios Murmúrios gritantes de uma alma revoltada Sentimentos perpetuados numa noite de luar Choros desassossegados pela pessoa amada Rasgando compulsivamente do dicionário o verbo amar   Silêncio! Que se cale a voz emanada do coração Sofreguidão, solidão, sempre a mesma ilusão Acabar o dia numa cama a chorar, desilusão Porquê? Diz-me apenas porquê Silêncios enclausurados numa vida imperfeita Caminhos descruzados em encruzilhadas perfeitas Acordar, adormecer, sonambulismos (...)

Melancolias

19.12.21, MM
Aguardo apático a chegada dos primeiros raios de sol. Sei que romperão por entre as estreitas fissuras dos estores que mantêm o meu quarto escuro, frio, na melancolia das noites vazias de essência, de vida, do amor. Tudo me parece tão previsível, tal qual um qualquer guião escrito a conta-gotas, pausado, reflexo dos eternos dias passados em tons cinzentos. Aconchego-me a um canto da minha imensa cama. “para que tanto espaço?” questiono-me impacientemente enquanto volto a (...)

Momentos de solidão

23.10.21, MM
Pressinto na brisa eletrizante a tempestade a chegar Nuvens aglomeram-se como guerreiros desafiadores Trespassando as altas montanhas com se fossem gladiadores Pequenos remoinhos fazem as folhas vibrar E as afoitas formigas correm, correm sem parar Sabem os segredos do tempo, sabem bem o que se vai passar E eu, contemplo o avermelhado majestoso do céu Que em breve estará coberto do negro véu   A noite escurece no silêncio temerário da solidão  Onde as brumas do deserto invadem o (...)

Perdida na minha escrita

02.10.21, MM
Perdes-te nas entrelinhas da minha escrita Absorvendo carnalmente tudo que nela habita Demónios projetados da minha alma vagabunda  Que no teu íntimo penetram de forma profunda E tu, rendida, entregas-te voluptuosamente Aos braços de quem agarra firmemente   Letras que te tocam em tons silábicos  Melodias em palavras encantadas no teu ser Dedos mágicos provocando arrepios de prazer E tu, perdida,  Tentas fugir de um verso inacabado Mas não consegues, preferes viver o pecado Mais (...)

Aconchego Outonal

29.09.21, MM
  Na melancolia dos dias que agora passam Finda o entardecer sob as folhas caídas Esvoaçando alegremente levam ternas lembranças Embaladas nas brisas outrora quentes e que agora se esfumaçam Terminando em delírio nas mãos das sorridentes crianças   As graciosas árvores perdem o seu pudor E folha-à-folha vão ficando completamente despidas Cenários perfeitos encantados em cores garridas Tintas desvairadas que na tela são domadas pelo seu criador Numa obra prima carregada de (...)