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Fragmentos de Miguel Moreno

recordações, paixões, aventuras de quem já viajou por todo o país... a vida é bela

Ser pai e os seus estereótipos - parte 1

12.06.21, MM

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Era uma vez um pai… ou melhor, reza a lenda que em tempos, nos subúrbios da grande cidade, habitava um jovem introvertido e sem grandes ambições. Ainda hoje há relatos, passados de boca em boca, que afirmam que esse jovem não tinha a pretensão de um dia ser pai e que só o facto de proferir essa (proibida) palavra (filhos), já lhe causava urticária. O que ele não sabia era que o que a vida lhe tinha destinado.

Os amores e desamores foram surgindo assim como as grandes desilusões,  mas isso, ficará certamente para uma outra narrativa. O desejo de emancipação levou-o a focar-se no mercado de trabalho, numa busca quase incessante de ser melhor, de dar o seu melhor. No entanto, o vazio invadia o seu coração na incompreensão de um amor complicado.  

Os caminhos da vida levaram-no a interessar-se por uma pessoa que conhecera anos antes, um amor de verão. Mas na altura em retomaram a comunicação, essa jovem tinha duas pequenas particularidades. A primeira é que morava extremamente longe e a segunda é que já tinha um “herdeiro” com quase dois anos. 

Desencantado com o meio que o viu crescer, decidiu abraçar essa nova aventura, trocando uma vida estável por um sonho, que julgava ele, ser o sonho da sua vida! É fiável dizer-se, que de uma certa forma acabou por ser, afinal ser pai é um dos sonhos mais lindos que se pode ter na vida! Sem experiência e sem nunca ter sentido o chamamento da paternidade, ter uma criança nos braços tornou-se uma verdadeira aventura. Mas ele estava determinado e decidido a amar aquela criança como seu legítimo filho, com todo o amor que um pai pode dar. Naturalmente tinha consciência que com 2 anos houve muitas etapas de aprendizagem que tinham ficado para trás, mas outras estariam para vir. Essa criança, que não tinha uma figura paternal, rapidamente o adotou como sendo o seu pai. Tornaram grandes amigos, vivendo grandes aventuras. 

Mas nem tudo foi fácil. Para dizer a verdade foi extremamente complicado devido aos estereótipos. Quando abandonou a grande cidade e a sua vida estável, foram muitas as críticas, as opiniões negativas, os profetas das desgraças. Proferiram então, quase em tom de gozo, expressões como:  “vais abandonar a capital?”; “onde fica mesmo o lugar para onde vais morar?”; “arranjaste alguém com um filho?”; “vais cuidar de um filho que não é teu?”; “olha que ela só está interessada que cuides do filho dela e às tantas ainda quer o teu dinheiro”, ou então: “ele vai cansar-se disto aqui depressa”; “não tarda está a voltar de onde veio”; “Ele veio da grande cidade… hum… deve ter deixado lá alguém e veio fugido!”

Seguiram-se momentos complicados e mais dissabores. Muitas vezes sentia-se um homem só numa terra estranha. Outras tantas vezes pensou em regressar, mas aquela criança já tinha conquistado o seu coração. E foi no meio de um período conturbado que soube que ia  ser novamente pai e desta vez, teria a oportunidade de assistir às primeiras etapas de um filho.

(continua...)

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