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Fragmentos de Miguel Moreno

recordações, paixões, aventuras de quem já viajou por todo o país... a vida é bela

Relógio encantado

28.08.25, MM

relogio encantado cópia.jpg

Mede-me o tempo nas artérias dançantes

Sílabas esvoaçando entre antíteses e metáforas 

E nos ponteiros do relógio encantado 

Viajam dois olhares penetrantes

Ora hipérboles ora anáforas

Exclamações trocadas em lábios molhados

 

Mede-me o tempo no palpitar do coração

Sangue bombeado em interjeições de prazer

E eu sem saber

Vou-me até ti

E no entanto, disse-te que te esqueci, mas menti

Pensamentos envoltos em fantasias

Mas toda a minha vida é feita de ironias

 

Mede-me o tempo que me vai na alma

Turbulência que no peito não acalma

Que paradoxo esta aliteração 

Anda, amor, andar de avião 

Mas não andamos, voamos

Como os ponteiros do tempo

Já é tarde para andar!

Diz o relógio encantado

Andar não 

Que eu queria-te no meu colo sentada

Encaixada

Entrelaçada

Como os ponteiros

Que de vez em quando ficam certeiros

Ansiando as doze badaladas

Justaposição de almas encontradas