Relógio encantado
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Mede-me o tempo nas artérias dançantes
Sílabas esvoaçando entre antíteses e metáforas
E nos ponteiros do relógio encantado
Viajam dois olhares penetrantes
Ora hipérboles ora anáforas
Exclamações trocadas em lábios molhados
Mede-me o tempo no palpitar do coração
Sangue bombeado em interjeições de prazer
E eu sem saber
Vou-me até ti
E no entanto, disse-te que te esqueci, mas menti
Pensamentos envoltos em fantasias
Mas toda a minha vida é feita de ironias
Mede-me o tempo que me vai na alma
Turbulência que no peito não acalma
Que paradoxo esta aliteração
Anda, amor, andar de avião
Mas não andamos, voamos
Como os ponteiros do tempo
Já é tarde para andar!
Diz o relógio encantado
Andar não
Que eu queria-te no meu colo sentada
Encaixada
Entrelaçada
Como os ponteiros
Que de vez em quando ficam certeiros
Ansiando as doze badaladas
Justaposição de almas encontradas