Outono
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caem as folhas solenemente
no agasalho do meu coração
procuram secretamente
um porto de abrigo
um aconchego
um delírio
uma paixão
um afável apego
alguém que lhes dê a mão
caem as folhas sensualmente
esvoaçando no meu imaginário
corpos despidos ao luar
dançando eroticamente
desejos primários
lançando a semente
de quem anseia um dia se tornar gente
caem as folhas violentamente
levadas por poesias iradas
vozes do antigamente
que se querem fazer presente
em quadras trocadas
mas tudo um dia terminou
e o verão, esse
já o vento o levou
caem as folhas serenamente
no sorriso encantado de uma criança
renovada esperança
de quem toca delicadamente
no coração
da humanidade
reiniciar
renascer
fazer feliz uma mulher
a minha, pois claro
quando a tiver
nos meus braços
entre beijos
ternos abraços
sentindo o calor
o teu, meu amor
inspirar, aconchegar
porque o outono, esse
acabou de chegar