Margem
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Não voltes ao precipício
Onde um dia foste feliz
São coisas do passado
Que não aconteceram por um triz
Prelúdios de uma noite
Que nunca aconteceu
E onde hoje são meras lembranças
De um sonho que era só meu
Não procures os abismos
Onde habita a saudade
São mouras encantadas
Ninfas disfarçadas
Desnudadas em sensualidade
Que encantam o desencanto
E no entanto
Continuam a caminhar
Para o abismo
Pois claro
Réplicas de um sismo
Que nunca chegaste a despertar
Não vivas na memória
Do que podia ter sido a nossa história
Foram fantasias disfarçadas de maresias
Noites de luar iluminadas no céu breu
Numa noite nublada
E fazer amor?
Pois, amor…
Isso nunca chegou a acontecer
Passaste a tua vida à margem do meu ser