Emergir
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Ano novo, vida nova
Apregoaram os veraneantes ao som das doze badaladas
Mas de novo só mesmo o ano
Que a ladainha já é velha
E as promessas, essas, já estão ultrapassadas
Eu quero a profundeza da alma
Beijar com calma
Como quem sente o ressoar de um coração a palpitar
Quero aquele toque que faz arrepiar
Não só a pele
Mas as profundezas das entranhas
Que fazem as borboletas esvoaçar
Do umbigo ao baixo ventre
Que impertinente
Dizem os “velhos do Restelo”
Mas eu quero a paixão
Entrar numa outra dimensão
Quero o abraço apertado
Dedos entrelaçados
Rir, chorar, partir, regressar
Viver, reviver, renascer
Quero o mundo na minha palma
Viajar para lugares inimagináveis
Sentir o colapsar de uma estrela cadente
Que se perdeu num desejo ardente
E por entre histórias intermináveis
Quero regressar todos os dias a mim
À minha essência
Voar por entre esperanças renovadas
Mergulhar nas águas sagradas
Sonhar, acreditar, voltar a sorrir
E neste novo ano, emergir