E se fossemos nós dois...
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E se fossemos mais que papel e caneta
Sílabas tontas lançadas ao vento
Poesia que insiste em não emparelhar
Mas parece que o nosso tempo
Não passou pela ampulheta
Ficou retido num qualquer mar
Por entre areias movediças
A aguardar que o cupido nos possa salvar
E se fossemos mais que dois ecrãs distantes
E se as palavras ditas viessem em forma de beijo
Aí que desejo
Do teu toque, dos teus lábios
Do infinito e das estrelas cintilantes
Dos olhares confidentes
Dos beijos eloquentes
Que nunca chegamos a dar
Nem das tórridas noites
Em que não fizemos amor ao luar
E se fossemos mais que dois corações partidos
Nós desatados
Dedos entrelaçados
Juras de eternos namorados
Dores apaziguadas em lençóis de cetim
Eu em ti
E tu em mim
Num quadro pintado a aguarela
Onde eu era eu
E tu, continuas a ser a mais bela