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Fragmentos de Miguel Moreno

recordações, paixões, aventuras de quem já viajou por todo o país... a vida é bela

E se fossemos nós dois...

29.01.26, MM

e se fossemos nos dois... cópia.jpg

E se fossemos mais que papel e caneta

Sílabas tontas lançadas ao vento

Poesia que insiste em não emparelhar 

Mas parece que o nosso tempo

Não passou pela ampulheta

Ficou retido num qualquer mar

Por entre areias movediças

A aguardar que o cupido nos possa salvar

 

E se fossemos mais que dois ecrãs distantes

E se as palavras ditas viessem em forma de beijo

Aí que desejo

Do teu toque, dos teus lábios

Do infinito e das estrelas cintilantes 

Dos olhares confidentes 

Dos beijos eloquentes

Que nunca chegamos a dar

Nem das tórridas noites 

Em que não fizemos amor ao luar

 

E se fossemos mais que dois corações partidos

Nós desatados

Dedos entrelaçados 

Juras de eternos namorados 

Dores apaziguadas em lençóis de cetim

Eu em ti

E tu em mim

Num quadro pintado a aguarela 

Onde eu era eu

E tu, continuas a ser a mais bela

Uma pedrada no charco

18.01.26, MM

pedrada no charco.jpg

"O sapo blogs vai ser descontinuado". 

Confesso que a notícia foi um enorme murro no estômago. Não é apenas o encerrar de um capitulo, é algo muito mais profundo que isso. Este era o meu cantinho, o meu porto de abrigo, o meu confessionário dos mais íntimos sentimentos que habitam na minha alma, no meu coração. 

O encerramento precoce deste espaço, levanta-me diversas questões as quais não estava preparado para enfrentar. O que fazer a a partir de agora? A lógica diz para "migrar" para um novo espaço, mas abandonar algo que nos faz bem é sempre complicado. Este blog foi originalmente criado como um contador pessoal de histórias vividas, mas rapidamente passou a ser um espaço dedicado quase em exclusivo a uma pessoa, a um amor impossível e para muitos, um amor platónico. E é aqui que reside a verdadeira questão, terminar esta linda história e recomeçar num novo lugar, deixando para trás mais de duzentas dedicatórias ou levar comigo toda a bagagem de amor e saudade.

Além disso, eu gosto do sapo blogs, porque não é apenas um simples espaço de partilhas. É algo mais intimo, com pessoas que aos poucos foram fazendo parte deste meu cantinho, aconchegando, inspirando, fazendo pensar com as seus pontos de vista, com as suas partilhas, com os seus dilemas. E só de pensar nisso dói.

Talvez regresse ao blogger, onde em tempos já vivi uma outra história, mas sem me sentir acarinhado como neste espaço. Sei apenas que vou sentir imensas saudades deste espaço, das pessoas, das suas histórias e partilhas. A todos os que me acompanharam, uma gratidão enorme, esperando sempre que nos possamos entrar algures por aí.

Sinto que ainda tenho muito por partilhar. Talvez escreva sobre o facto de ser um pai solteiro, vivendo com os seus quatro filhos e as dificuldades que é enfrentar todos os desafios. Talvez escreva sobre as enumeras receitas que "invento" para agradar a todos, ou talvez continue a falar sobre o amor, que na realidade é o que me move.

A noticia da descontinuidade, foi uma verdadeira pedrada no charco, mas toda a minha vida tem sido feita de nova adaptações e como dizem os meus filhos, "isso é uma preocupação para o meu eu do futuro". Por enquanto, vou continuar a desfrutar deste espaço. Até ao próximo post!

 

Emergir

11.01.26, MM

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Ano novo, vida nova 

Apregoaram os veraneantes ao som das doze badaladas

Mas de novo só mesmo o ano

Que a ladainha já é velha

E as promessas, essas, já estão ultrapassadas

 

Eu quero a profundeza da alma

Beijar com calma 

Como quem sente o ressoar de um coração a palpitar 

Quero aquele toque que faz arrepiar 

Não só a pele

Mas as profundezas das entranhas

Que fazem as borboletas esvoaçar 

Do umbigo ao baixo ventre

Que impertinente

Dizem os “velhos do Restelo”

Mas eu quero a paixão 

Entrar numa outra dimensão 

Quero o abraço apertado 

Dedos entrelaçados 

Rir, chorar, partir, regressar

Viver, reviver, renascer

Quero o mundo na minha palma

Viajar para lugares inimagináveis 

Sentir o colapsar de uma estrela cadente

Que se perdeu num desejo ardente

E por entre histórias intermináveis

Quero regressar todos os dias a mim

À minha essência

Voar por entre esperanças renovadas

Mergulhar nas águas sagradas

Sonhar, acreditar, voltar a sorrir

E neste novo ano, emergir