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Fragmentos de Miguel Moreno

recordações, paixões, aventuras de quem já viajou por todo o país... a vida é bela

Vejo o amor...

28.09.25, MM

vejo o amor cópia (1).jpg

Vejo o amor em cada esquina

Em cada ruela

Ou numa qualquer tela

Sentimentos pintados

Ficcionados

Numa série de televisão 

Fogo ardente vivendo da paixão 

 

Vejo o amor trocar de nomes

De moradas

Pessoas hoje amadas, amanhã odiadas

Sem despedidas, almas despidas

Que ficam na solidão 

Para outras

Meros momentos de tesão 

 

Vejo o amor a ser declarado

Por uma semana 

Por um mês 

E depois é passado

“Próximo”

Como se o amor fosse uma fila de supermercado 

 

Vejo o amor a não ser valorizado

Poemas que acabam no lixo

Sem emoção

Sentimento abalado

Sem o peso das palavras

Almas trocadas 

Habitando em jogos de sedução 

Mas o amor, esse, parece perdido

Apenas à procura de um bom partido 

Mas como? Se o amor quer-se por inteiro 

E meu amor prometido?

Talvez surja só lá para janeiro…

 

Outono

24.09.25, MM

outono cópia.jpg

caem as folhas solenemente

no agasalho do meu coração

procuram secretamente

um porto de abrigo

um aconchego 

um delírio

uma paixão

um afável apego

alguém que lhes dê a mão

 

caem as folhas sensualmente

esvoaçando no meu imaginário

corpos despidos ao luar

dançando eroticamente

desejos primários

lançando a semente

de quem anseia um dia se tornar gente

 

caem as folhas violentamente

levadas por poesias iradas

vozes do antigamente

que se querem fazer presente

em quadras trocadas

mas tudo um dia terminou

e o verão, esse

já o vento o levou

 

caem as folhas serenamente

no sorriso encantado de uma criança

renovada esperança

de quem toca delicadamente

no coração

da humanidade

reiniciar

renascer

fazer feliz uma mulher

a minha, pois claro

quando a tiver

nos meus braços

entre beijos

ternos abraços

sentindo o calor 

o teu, meu amor

inspirar, aconchegar

porque o outono, esse

acabou de chegar

 

Tempo

16.09.25, MM

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temos pouco tempo, amor

e no entanto

temos todo o tempo do mundo

para esquecermos esta dor

que nos torna moribundos

perdidos em desencantos

em desamores

pobres corações sonhadores

 

temos pouco tempo, amor

e no entanto

temos toda a eternidade

para matarmos esta saudade

corpos entrelaçados

eternos namorados

e se o tempo não chegar

reiniciamos

reinventamos

renascemos nas noites de luar

por entre abraços apertados

beijos demorados

adormecer e acordar

ao teu lado, pois claro

sorrir e pensar

“és o meus sonho de encantar”

Dói a saudade

10.09.25, MM

doi a saudade cópia (1).jpg

A chuva cai…

Cai incessantemente na minha saudade

E dói…

E como doi de verdade

Não te ter aqui

Ao pé de mim

Passeando de mãos dadas num qualquer jardim

Mas dói

Dói até onde a dor não consegue alcançar 

Para além das intermitências da alma ferida

Quimera perdida

E eu?

Eu ainda aqui estou perdido no teu terno olhar

Desde os tempos ancestrais

Até hoje

Horas, minutos, segundos

Tempo contado sem pontos finais

Mas o tempo, esse, pouco importa

Se a dor da saudade atravessa a eternidade

E como dói de verdade

Ainda sonhar ser o teu namorado 

Mas isso, já soa a insanidade

Triste este meu fado

E a chuva,

Essa, continua a cair incessantemente 

Indiferente 

À minha dor

Indiferente

Ao meu amor…