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Fragmentos de Miguel Moreno

recordações, paixões, aventuras de quem já viajou por todo o país... a vida é bela

Promessas quebradas

30.04.21, MM

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E nas promessas quebradas

Que fizemos ao luar

Houve um beijo que morreu

Sem nunca nos teus lábios tocar

 

E se nas complexas linhas do tempo

Fosse possível reescrever a história

Tal como o tecelão define o momento

Corta a linha, cria uma nova memória 

Esculpida em campos floridos, e nós a correr

Tal Adão e Eva no paraíso, sem juízo

Percorrer o teu corpo, dar-te prazer

Em viagens alucinantes, turbinantes

 

Se eu pudesse manipular a matéria

Entrar em ti numa qualquer artéria

Que levasse o meu adn ao teu coração

E te mostrasse todo o meu sentimento

O quanto de ti há em mim

E o quanto de mim queria estar em ti

 

E se nas promessas quebradas

Que fizemos ao luar

Fosse possível desatar o nó, fazer um laço

E regressar aquele dia

Em que me perdi no teu abraço...

Ilusões da vida

29.04.21, MM

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Não vivas o que podia ter sido

Vive o que ainda pode vir a ser

Nesta vida ninguém está condenado

A viver apenas para sofrer 

 

Falam dos amantes que se envolveram em noites de loucuras

Mas ninguém quer falar das relações vividas de amarguras

Das ilusões esfriadas nos quentes corações

Dos sonhos que um dia viraram desilusões

 

Julgamos que a cruz temos de carregar

Por escolhas do longínquo passado

Prisioneiros de barcos sem timoneiros

Águas evaporadas num qualquer chuveiro

Perdidos em lágrimas de desencanto

Caídas em noites de intenso pranto

Assim são as vidas desalentadas

De quem vive em profunda solidão

Camas juntas mas separadas

Tristeza profunda no coração

 

Vivem numa liberdade ilusória 

Presas a uma realidade condenatória 

Sorrisos forçados para agradar

Amando alguém sem poder amar

Águas cristalinas escondidas

Toques furtivos em zonas proibidas

Tentando a alma serenar

E por vezes a felicidade

Está num sorriso que não deixamos entrar

Numa janela que teimamos em fechar

E com receio de errar, perder

E com medo de arriscar, sofrer

Liberdade dos amantes

25.04.21, MM

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Houve um tempo de sentimentos aprisionados

Que dos corações não podiam ser libertados

Viviam constrangidos condenados à agonia

Mergulhados num poço de água fria

Nas areias do tempo enclausurados

 

Houve um tempo de amores proibidos

Olhares caídos, sorrisos entristecidos

Sufocados em palavras silenciadas

Murmúrios em lágrimas derramadas

Que em rios de silêncios ficaram detidos

 

Houve um tempo em que tudo mudou

O adormecido coração finalmente despertou

Dos confins do universo estrelas foram convocadas

Das profundezas dos oceanos deusas foram invocadas

As amarras quebraram

As barreiras derrubaram

Barcos rumaram ao alto mar

Pássaros voltaram a voar

E os amante… aí os amantes

Esses redescobriram o verbo amar

Que entre beijos libertavam os seus desejos

E de coração aberto

E de alma nua

Entregavam-se à paixão, à devaneação

E nas paredes do tempo escreveram palavras de amor

Eternizadas numa louca tarde de calor

E assim foi devolvida a felicidade

E nas velhas aldeias ainda reza a lenda

Que foi assim que nasceu a liberdade

A liberdade dos amantes

Rabiscos

21.04.21, MM

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A vida são meros rabiscos

Que nas areias do tempo teimamos em desenhar

Por vezes surpreende-nos uma obra de arte

Admirável, memorável, de um universo à parte  

Outras… pedras lançadas ao vento difíceis  de decifrar

 

Não obstante a virtuosidade de saber rabiscar

De transformar, de idealizar, de concretizar

Dos pontos das constelações saber ligar

Torna-se inútil, se a ponta do lápis apenas esborratar

Assim é a vida, assim é o amor…

Assim é a alegria, assim é a dor

Por vezes são traços finos quebrados

Escondendo segredos encriptados

Outras... traços grossos desmaiados

Incapazes de se tornarem seres amados

 

Queria alguém para quem eu não fosse um rabisco

Um mero esboço traçado numa noite de luar

Perdido numa qualquer melodia

Que desaparece com o despertar do dia

 

Mas a vida é assim mesmo… feita de rabiscos

Por vezes acerta-se… raramente, penso eu

Há traços de uma vida que nunca saíram do lugar

Desenhos tristes de uma vida amargurada

Em que o amanhecer é apenas mais uma madrugada

Outras… são curvas desvendadas ao luar

Perdidas em sorrisos de encantar

Corpos suados na ânsia de amar

De amar com paixão

De sentir com o coração

E quando se acertar no traço…

Todo o nó vira um laço

Quem me dera

17.04.21, MM

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Quem me dera que andasses distraída

E nos teus pensamentos andasses aluada

Que sorrisses por tudo e por nada

E na magia noite pela lua fosses seduzida

E no mundo te sentisses a mulher mais amada

 

Quem me dera ser o motivo do teu sorriso

Que por mim perdesses o juízo

E no teu secreto desejo dos meus lábios beijar

Te perdesses em devaneios de me ver despir

Na urgência do meu corpo possuir

Em sons efémeros propagados ao luar

Em loucuras de fazer as estrelas corar

 

Quem me dera sentir o teu respirar

No meu ouvido o teu doce sussurrar

E no sentir do bater do teu coração

Pudéssemos partilhar a mesma paixão

Porque eu estou aqui, para te amar

 

Quem me dera que andasses a cantarolar

Aquelas músicas lamechas de encantar

Dançasses eloquentemente sem saber porquê

E mesmo que parecesse um clichê

Uma rosa e um convite para jantar

Descansa… hoje sou eu a cozinhar

Uma taça de champanhe para brindar

Corações perdidos num olhar

Corpos excitados pelo tocar

Quem me dera…

Que esta noite estivesse apenas a começar…

Destino ou acaso?

15.04.21, MM

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Não sei como descrever ao que por norma se designa com o nome de destino, nem mesmo a suposta razão da passagem do tempo. 

Destino: “Combinação de circunstâncias ou de acontecimentos que influem de um modo inelutável. = FADO, FORTUNA, SINA, SORTE”

Tempo: "Série ininterrupta e eterna de instantes"

 

Acordei a meio da noite completamente mal disposto e com uma daquelas dores de cabeça horríveis. Reflexos físicos dos estados de ansiedades e dos nervos, aos quais tinha deixado entrar e influenciar o meu ser, a minha alma. Problemas do quotidiano, situações complicadas e delicadas de gerir, responsabilidades profissionais… normalmente são acontecimentos com os quais eu lido bem, mesmo em momentos de enorme stress. No entanto, a instabilidade emocional atira-me ao chão de uma forma completamente desamparada, e uma simples poça passa a ser um lago profundo cheio de piranhas, o qual eu tenho que atravessar a nado, sem sequer saber nadar. Toda a insegurança toma conta de mim, os meus dilemas e demónios surgem vindos das profundezas onde já tinham sido enterrados. 

Mesmo num estado físico lastimável, arrisquei deixar os miúdos na escola e fui trabalhar. Mas percebi logo que tinha sido um erro. Nem os chás nem a medicação estavam a fazer qualquer efeito. O mundo parecia continuar a desabar na minha cabeça e olhando-me ao espelho parecia uma personagem de uma qualquer série sobre mortos-vivos. Nada conseguia acalmar as dores físicas, que pareciam originárias das mais profundas entranhas e até mesmo o simples carregar na tecla “enter” era um martírio, quanto mais tentar analisar documentos.

À hora de almoço decidi ir até casa almoçar no intuito de descansar um pouco. E é durante essa viagem que tudo muda. Há um lugar onde os nossos caminhos se cruzam e hoje simplesmente aconteceu. Talvez seja o destino, forças cósmicas, manipulação de acontecimentos através do pensamento, acaso? Eu chamo-lhe ironia, a mesma ironia que me têm acompanhado ao longo dos anos, como uma premonição, ou talvez uma maldição.

Quando entrei naquela rotunda percebi logo que o carro que estava à minha frente era o teu, e pelo movimento do teu cabelo tive nesse momento a certeza absoluta que eras tu que estavas a conduzir. Vários pensamentos passaram pela minha cabeça a uma velocidade estonteante, entre indecisões e desejo de te ver, principalmente de te ver… Sabia que ias estacionar, razão pela qual te dei espaço e tempo para o fazeres tranquilamente e já com o carro parado, avancei lentamente deixando o meu carro paralelo ao teu. Olhei-te e tu olhaste para mim, num momento de pura magia. Estavas lindíssima como sempre. A tua reação foi de espanto total, misturado com uma alegria resplandecente, de não estares acreditar que eu estava mesmo ali, e para mim, aquele momento que eu tanto desejara estava mesmo a acontecer. Fizeste o mesmo sorriso que sempre fazias quando me vias, com o mesmo olhar terno como que sempre me olhavas. Ficámos assim por breves momentos como que hipnotizados. Mas já tinha carros atrás a querer passar e eu tive que avançar e sem possibilidade de estacionar, acabei por seguir o meu rumo, tanto mais que tinhas que ir trabalhar e eu tinha que ir almoçar.

E em segundos todo o meu estado de espírito mudou, sendo que o estado físico reagia da mesma forma. Já em casa fui até à varanda, e à brisa quente que se fazia sentir, desabafei todos os meus sentimentos e quanto estava feliz por te ter visto. Talvez na esperança que as minhas palavras cheguem até aos passarinhos e que estes, durante a noite, invadam os teus sonhos com a minha presença e te sussurrem este meu desejo, este meu amor...

Após almoçar estava quase completamente recomposto, regressando ao trabalho quase como se nada tivesse passado. Na minha memória aquele singelo sorriso que o tempo não conseguiu apagar. Talvez um, dois anos… já nem sei… mas quando aconteceu foi como se nunca nos tivéssemos deixado de ver… e foi tão bom.

Na infinidade de probabilidades de te encontrar ou não te encontrar, acabou por acontecer em circunstâncias que me fazem colocar imensas questões: serás mesmo a minha alma gémea? estaremos destinados? ou serás apenas uma mera utopia que ilude o meu coração? 

Destino, forças cósmicas, manipulação de acontecimentos através do pensamento, acaso? Eu chamo-lhe ironia, aquela com que a passagem do tempo gosta de me brindar. 

Ausência

11.04.21, MM

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E quando não tenho notícias tuas

O mundo parece não girar

A vida dá voltas ao contrário

Falta o tempero do amor

Falta o combustível da alma

E no meio de tanta dor

Nem os poemas parecem rimar

 

Ansiedades tomam conta do meu ser

Desesperos embebidos no meu sofrer

Dia lindo e eu aprisionado na solidão

Pássaros que se esqueceram de cantar

E nem mesmo a “minha” floresta de encantar

Consegue apaziguar os dramas do coração

 

Dizem que o tempo tudo cura

Que tenho que dar novas oportunidades

Ao coração…

Mas o tempo passa e eu só sinto a loucura

E a tua ausência só me trás saudades

Ao coração…

Dizem que devo arranjar um novo alguém

Novo alguém? mas quem?

Se só sinto em mim a tua ternura, doçura

Que posso mais eu fazer

Se não te consigo esquecer...

De tanto de mim que dei

10.04.21, MM

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De tanto de mim que dei

A quem por mim passou 

De alma e coração me entreguei

E do que trouxe pouco restou

 

De tanto de mim que dei

A quem nunca tive coragem 

Deste singelo poema declamar

Mas tu partiste e eu simplesmente fiquei

Olhando-te como uma miragem

Ao invés de correr para ti e me declarar

 

De tanto de mim que dei

A quem não soube aproveitar

Mas juntei todas as peças do coração

Num amor que em mim cresceu

Neste lindo sentimento que agora é só teu

No desejo intenso de te amar

De em ti viver esta paixão 

 

De tanto de mim que dei

De tanto de ti que deste, eu sei

Mensagens trocadas ao luar

No nosso mundo de encantar

Mas não tive a coragem de avançar 

E tu partiste sem avisar

Tive receio que viesses a sofrer

Abdicares do teu mundo quase perfeito

Quando eu só tinha o meu amor para te oferecer

E no entanto só queria ser o teu eleito

Confuso, eu sei

Culpa minha, pensei

De tanto de mim que dei

Em ti renascer

08.04.21, MM

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Houve um tempo em que era mar

Altivo, soberbo, majestoso

Força da natureza, virtuoso

Sedutor, charmoso

Hoje sou maresia

Serenidade e poesia

Envolto na minha própria fantasia

 

Talvez seja poeira

Pólen de flores em esquecimento

Paradas no tempo, perdidas no momento

Em que de mim fugiste, partiste

Talvez seja fumaça de uma fogueira extinta

Velho comboio que já não tilinta

Uma moldura de um quadro já sem tinta

 

Mas onde estou eu no teu pensamento?

Que lugar ocupo no teu coração 

Serei escombros, serei paixão 

Grande amor ou a ilusão

Mera utopia ou o teu alento?

 

Hoje só queria em ti renascer

Sentir na tuas curvas o meu prazer

E no meu suave toque fazer-te estremecer

 

Hoje só queria em ti renascer

Acariciar-te o rosto delicadamente

Roubar-te um beijo eloquentemente

E serenamente no teu abraço adormecer

Entre o sonho e realidade

06.04.21, MM

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Entre o sonho e a realidade

Vive uma alegre fantasia

Tecida com amor e harmonia

Na casa que sonhei um dia

Feita de sonhos e de realidade 

 

Acordei no nosso jardim

Aromas de pétalas, suavidade de cetim

De mãos dadas rumo à felicidade

Navegando numa folha de Aladim

Feita de sonhos e de realidade

 

Vem comigo, meu amor,

Navegar neste meu sonho acordado

Eu e tu, tu e eu

Feitos Julieta e Romeu

Sem um final amaldiçoado

Onde o mundo é a nossa descoberta

Tal como eu descobri em ti

Que a vida afinal sempre sorri

Para um coração apaixonado

 

Entre o sonho e a realidade

Apenas habita a minha saudade

Num desejo de um beijo

Numa noite de encantar ao luar

Parado no tempo por um momento

Em que aguardo a tua chegada, minha amada

Dando asas à liberdade

Vivida entre o sonho e a realidade

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